Festa da banana

21 07 2008

O fim de semana foi de festa para a fruta cuja produção movimenta a economia do município de Piau, em Minas Gerais.

Antes mesmo de chegar à cidade já dá para entender porque ela é chamada de terra da banana. Em todo lugar lá estão elas: no quintal, decorando ruas e até na praça da igreja.

São quase 13 mil toneladas de bananas todos os anos. É como se cada habitante de Piau produzisse mais de quatro toneladas. E não por acaso, dois em cada três moradores retiram da banana o sustento.

Hoje Piau produz cerca de dez variedades de banana.

Há motivos de sobra para festejar. Durante três dias a cidade recebe visitantes para a Festa da Banana. Os produtores apresentam as novidades do mercado.

Há também cachaça de banana? “É uma delícia essa cachaça, mas não pode exagerar”, avisou o produtor Olegário Silva.

Duzentos agricultores vivem da produção da banana, no município de Piau.





Versos do boiadero (parte 1)

21 07 2008

Da cana eu tiro a cachaça, da mandioca a farinha
A mulher que fica comigo, não quer dizer que ela é galinha
Pôr que se ela ficar comigo vai Ter vida de rainha

A fazenda do meu sogro faz divisa com a minha
Foi presente de casamento, ele me deu porque eu não tinha
Com esta fazenda fiquei rico de repente,
Casei com a fazenda e ganhei a moça de presente !…

Dizem que jovem é outro papo,
Mas os velhos que são de lascar
Os velhos só saem à noite,
se a lua clarear
Com os velhos não tem conversa
é tico-tico no fubá
No vanerão eles faz as veias
corre doida e as novinha sapateá.
Aqui não xexênia!!!!!!

Eh meu povão apaixonado
A mulher que fica com o peão
Tudo de mal lhe acontece,
O peito desce, a barriga cresce
e na 2a. feira o desgraçado desaparece !!!

Seguuuuuura Peão!!!





Por que os homens mentem?

21 07 2008

Ta legal, num tem nada de cultura country nessa tirinha, eu adimito, mas que isso é verdade tanto na cidade quanto no campo, ninguem pode negar… Portanto, cabe tanbém aqui no Boiadero… Abraço a todos e comentem…





O caminho de São Tiago

21 07 2008

O Blog do Boiadero é também lugar de cultura e cosumes do interior, por isso publico aqui alguns contos sobre o dia-a-dia na fazenda, alguns de minha autoria e outros de contadores de histórias por esse Brasil afora. Hoje é a vez de Olavo Romano.

O conto

O pai precisava resolver uns negócios na cidade e chamou o filho para ir junto. Fazia muito tempo que Tiãozinho tinha ido a São Tiago a última vez. Estava agora com dez para onze anos, era quase um rapazinho.

Botou arreio novo no rosilho, com peitoral e rabicho, coxinilho e capoteira. Tomou banho geral, vestiu o terno branco, bebeu um café reforçado e, dia amanhecendo, metia o pé na estrada.

Viagem estirada, a bem dizer quatro léguas, oito ida e volta. Coisa pra macho. Por isto ia tão intimado.

Na cidade, chupou picolé e experimentou refresco de groselha. Escutou conversa de homem na farmácia do João Reis, depois deu umas voltas na praça da Matriz. Comeu lombo de porco com lingüiça, tutu de feijão e couve picadinha na pensão do Luís Caputo. Escutou muita música caipira no rádio do Vicente Mendes, enquanto fazia suas compras: um pente “Flamengo”, um espelhinho de bolso com o escudo do Vasco nas costas, um canivete “Corneta”, mais dúzia e meia de bolinha de gude pra encantar as vistas e invejar os irmãos.

Duas e pouco, tudo resolvido, saía de volta, acompanhando no pequira a marcha larga da Princesa, besta baia de estimação do pai.

Era janeiro, dias quentes e grandes. Chegou em casa com céu ainda claro. Trocou de roupa, jantou, foi pro alpendre conversar com os agregados. Manuel Vaqueiro pergunta:

– Comé, Tiãozinho, gostou da viagem?

O menino tinha as pernas raladas, o traseiro doendo daquele estirão de quase oito léguas. Mas trazia a alma cheia de uma novidade muito bonita. Estufou o peito, tomou um ar solene e revelou ao grupo de empregados a sua importante descoberta:

– Olha, gente, quem quiser saber como este mundo é grande, viaje pros lados de São Tiago!

*Olavo Romano teve casos publicados em jornais e revistas. Em livros como Minas e seus casos e Memórias meio misturadas de um jacaré de bom papo focaliza o jeito, a fala e a vida no interior mineiro. A última obra do escritor é Pés no Caiçara, um olhar sobre a Pampulha.